O ART DECÒ NO URUGUAI
Num mundo entre guerras mundiais, nos anos loucos, no auge do tecnológico e das vanguardas artísticas, do fascínio e do medo pela máquina que são as inquietações dos “Tempos Modernos”; surge a arquitetura «estilo navio», um estilo de linhas aerodinâmicas chamado “streamline”, nascido do Art Déco.
A irregularidade dos planos, a altura, a construção em diferentes níveis e saliências, a geometria e o betão armado começam a aparecer nas costas. A nova estética é industrial, misturada, despersonalizada, sem a carga do passado nem da tradição.
Espaços modernos sem história e sem raízes. Os novos materiais são misturas e fusões, começa o domínio do sintético, do industrial. A nova ordem económica não permite trazer mais mármores de Carrara, madeiras exóticas, móveis europeus ou encomendar grandes obras aos artistas consagrados.
A nova casa perdeu a suntuosidade e os grandes objetos repletos de tradição.
Esta perda dos patrimónios familiares começa a produzir-se no início do século XX, onde a reconfiguração do espaço torna inviável manter o mobiliário e os objetos tradicionais.
A nova casa perdeu a memória e começou a escrever uma nova tradição, uma nova memória. Num país de costas, suavemente ondulado, sem grandes alturas nem desejos de sobressair, moderadamente moderna, mas sóbria, a arquitetura navio integra-se na costa e também na mentalidade uruguaia, que continua a sonhar com o que existe para além do horizonte, olhando para o mar.

