Os códigos da linguagem visual na fotografia

Jimena Méndez

Jimena Méndez

ENQUADRAMENTO E COMPOSIÇÃO

Aprender a enquadrar e compor na fotografia é dar os primeiros passos rumo à compreensão dos códigos da linguagem visual.

O que é enquadrar e compor?

A fotografia, essencialmente, é um ato de enquadrar uma porção do que vemos e, através dessa seleção, criamos uma imagem que vai muito além do que os nossos olhos captam.

Em relação aos conceitos de enquadramento e composição, enquadrar significa “colocar algo dentro do quadro” e, portanto, implica escolher os elementos que ficam dentro e fora de uma fotografia na hora de fazer a nossa seleção pessoal e arbitrária daquilo que vemos.

Compor, por outro lado, consiste em determinar a disposição dos objetos ou sujeitos dentro do enquadramento, ou seja, dentro da fotografia.

Portanto, tanto o enquadramento quanto a composição são critérios de seleção e organização dos elementos presentes em uma imagem fotográfica.

Existem regras para o enquadramento e a composição?

Esta é uma pergunta que não pode ser respondida de forma simples. Alguns puristas da fotografia clássica dirão que sim, enquanto os detratores pós-modernos dirão que não, argumentando que a arte não tem regras estabelecidas. A nossa resposta é: sim e não.

Sim, porque, assim como compartilhamos formas culturais de ver e organizar visualmente os elementos do nosso cotidiano, também compartilhamos formas de entender o que consideramos ordem e o que compreendemos visualmente. Compartilhamos certos estereótipos culturais na imagem, resultado dos códigos visuais em comum. Sob essa perspectiva, podemos falar de «regras de enquadramento e composição» culturalmente compartilhadas.

Não, responderemos, se considerarmos as escolhas pessoais e conscientes que fazemos ao enquadrar e compor, já que essas escolhas são únicas e irrepetíveis. E também se pensarmos nos grandes fotógrafos que “quebram as regras” ou brincam magistralmente com suas imagens, desafiando e transgredindo tudo o que aprendemos sobre as regras, subvertendo assim as nossas concepções consideradas normais. Essa é precisamente a função da arte.

Entender as regras para saber quebrá-las

No entanto, vale ressaltar que, para subverter ou transgredir uma ordem, primeiro é necessário conhecê-la e dominá-la. Quando o escritor irlandês Samuel Beckett, em seu romance «Como É», escreve sem as regras convencionais de sintaxe e omitindo sinais de pontuação, ele o faz com o propósito de quebrar paradigmas. E consegue porque pode fazê-lo! Apenas um escritor do seu calibre, que domina com perfeição as regras do seu idioma, é capaz de transgredi-las com maestria e criar uma obra memorável.

O mesmo acontece na fotografia. Ter consciência das regras, dominá-las e utilizá-las nos ajuda a compreender como as nossas decisões afetarão a leitura da nossa imagem, bem como a força com que ela comunicará algo ou despertará emoções em quem a observa.

Dominar as regras de enquadramento e composição nos permite usá-las de maneira eficaz e, quando necessário, desafiá-las de forma significativa e criativa. Por fim, ao explorar e compreender os aspectos do enquadramento e da composição, aprofundamo-nos na linguagem visual e nos tornamos artistas mais conscientes de como transmitir as nossas ideias e emoções através da fotografia.

A técnica não é uma prisão, mas sim uma ferramenta de linguagem.